quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Aquilo



Quando aquilo apareceu na cidade, teve gente que levou um susto.
Teve gente que caiu na risada.
Teve gente que tremeu de medo.
E gente que achou uma delícia.
E gente arrancando os cabelos.
E gente soltando rojões.
E gente mordendo a língua, perdendo o sono, gritando viva, roendo as unhas, batendo palma, ficando apavorada e ainda, gente ficando muito, muito, muito feliz.
Uns tinham certeza de que aquilo não podia ser de jeito nenhum.
Outros também tinham certeza. Disseram: ─Viva! Que bom! Até que enfim!
Muitos ficaram preocupados. Exigiram que aquilo fosse proibido. Garantiram que aquilo era impossível. Que aquilo era errado. Que aquilo podia ser muito perigoso.
Outros tranquilo,festejaram deram risada, comemoraram e, abraçados, saíram pelas ruas, cantando e dançando felizes da vida.
Alguns, inconformados, resolveram perseguir aquilo. Disseram que aquilo não valia nada. Disseram que era preciso acabar logo com aquilo ou, pelo menos, pegar e mandar aquilo para bem longe.
Muito defenderam e elogiaram aquilo. Juraram que aquilo era bom. Que aquilo ia ser melhor para todos. Que esperavam aquilo faz tempo. Que aquilo era importante, bonito e precioso.
Alguém decidiu acabar com aquilo de qualquer jeito.
Mas outro alguém disse não! E foi correndo esconder aquilo devagarinho no fundo do coração.

 Conto de Ricardo Azevedo, extraído do livro Se Eu Fosse Aquilo
O Poder da União

Perguntamo-nos: por que a chuva molha tanto? Por que é capaz de paralisar p trânsito da cidade? É que as gotas d´agua descem pequeninhas, fininhas, mas descem juntas.

Se uma gota d´água descesse sozinha, isolada das outras, ninguém se importaria.

Mas as gotinhas descem de mãos dadas. Todas na mesma hora, e conseguem formar rios, transbordá-los, causando enchentes que ameaçam as grandes cidades.

Dez gotinhas não fazem nada, mas bilhões, trilhões de gotinhas fazem uma tempestade.

Descendo juntas, combinadas... companheiras... amigas, chegam a assustar.

Vejam como as coisas pequeninas podem transformar o mundo!

Se todos nós fôssemos como as gotinhas d´agua!... se vivêssemos unidos, combinando tudo em equipe, como fazem as gotinhas d´água, mudaríamos o mundo. Somos pequenos, mas, unidos, nos tornamos fortes.

Sozinhos, secamos. Nada fazemos. Não mudamos nada ou pouca coisa. Somos uma gota d´agua que não causa nenhum efeito.

Mas se formos como a chuva... seremos bilhões de pequenininhas gotinhas d´água descendo juntas, sincronizadas, atingindo raízes profundas e penetrando grandes montanhas.

É essa a união que transforma a natureza e o mundo.

Você já refletiu sobre a importância de multiplicarmos nossas forças? Esse poder está na nossa unidade!

A fábula das três cores

A fábula das três cores


[...]
As cores muito sérias
e, às vezes, falam assim:
como se fossem discursos
de homem muito importante
ou pemas de um poeta
que cantam seus belos versos
com os olhos
cheios de lágrimas.

Mas
no fundo
as cores são como nós
têm seu lado infantil
gostam de festa e canção
de jogos e brincadeiras.
E numa ciranda alegre
saem a rodar por aí:
"Vamos brincar de inventar?"
E é então que elas inventam
as formas de um
mundo novo.
[...]





Ziraldo. A fábula das três cores.
São Paulo: Editora Melhoramentos, 2002